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... e o que deixou no Brasil?

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"Amanda, o que você tem a dizer quanto ao que deixou no Brasil?"
Bem, já sabia que a partir do momento em que que decidimos deixar tudo para trás e vir para cá, aqui seria minha nova vida, ou melhor, aqui se iniciaria minha nova vida. Então basicamente o que deixei para trás permitiu que a Amanda até 04/02 fosse formada, mas ao pisar nessa terra uma nova etapa começou e ela está me ajudando a ser quem sou hoje. 
Quanto as pessoas que deixei já se torna um pouco mais profunda a situação, porque uma parte delas sempre estará comigo, em meu coração e sei que o mesmo ocorre quando se trata delas por mim. 
Mas sei que em algum dado momento as coisas podem vir a se tornar um pouco diferentes, afinal, da mesma forma que minha vida recomeçou e começou a seguir, com a delas ocorreu o mesmo e isso é normal e está tudo bem, porque eu sei que, mesmo que tudo mude, numa parte do meu coração sempre terá uma lembrança boa e muito amor e carinho para dar, do amor e carinho que senti, sinto…

Eaí, como você está agora?

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Bom, em Fevereiro fez 1 ano que estou morando aqui, isso até falei logo no início desse monte de postagens sobre minha mudança, e hoje posso dizer com tranquilidade e calma no meu coração: no momento eu estou onde realmente deveria estar.
No começo, até quando fomos para nossa casa, eu não me sentia "em casa". Lembro até de um dia em que disse para mamãe que estava ali só para dormir, que nem sabia porque tínhamos uma casa com todos os cômodos se apenas ficávamos na cozinha e depois no quarto. E mamãe, mesmo tendo ficado triste comigo pelo que tinha dito, teve a paciência e sabedoria para conversar comigo e esperar o meu tempo de adaptação se estabilizar. E, como em todas as outras vezes, me deixou chorar no ombro dela, até recuperar minhas forças assim como ela fez nos meses mais tempestuosos...
Lembro do meu pior mês, Julho, que para minha infelicidade eu chorei TODOS OS DIAS, principalmente porque tinha mudado de loja, nesse caso era a última a sair, então tinha que limp…

Minha busca por trabalho (parte 2)

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Porém, como deve ser óbvio, nem tudo é 100% perfeito, né? Caso contrário não seria trabalho, seria emprego, e eu não seria uma imigrante num país em busca do meu documento. 
Depois que comecei a trabalhar eu queimei muito minhas mãos, afinal nunca tinha dedicado meu tempo a passar roupa. Sem querer já encostei o ferro na mão, basicamente, fui passar uma roupa e calculei mal a distância e ele passou por cima do meu dedo.
A máquina que usamos para embalar as roupas funciona ligada na tomada, para aquecer e assim a gente conseguir cortar o plástico, por conta disso tenho vários cortes/queimados na mão por conta da máquina ter batido em cima na hora que estava aquecendo e eu tinha que cortar a embalagem.
Como mexo com muita roupa, químicos, água e sujeira, minhas mãos parecem que desenvolveram uma certa alergia, ficam muito secas e, às vezes, enquanto estou passando roupa meus dedos começam a ressecar e dar pequenos rasgos que fazem eles sangrarem, então tenho que estar sempre passando c…

Minha busca por trabalho

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Quando comecei a procurar por um trabalho eu fiz duas entrevistas, uma delas era para trabalhar num café no aeroporto e a outra para trabalhar numa loja de roupa num shopping.
Lembro que para a entrevista no café eu esperei mais de 1 hora a pessoa que ia me entrevistar chegar. Quando ele chegou pediu meu passaporte, folheou ele todinho e disse "você não tem visto?" ai disse que não, que só minha mãe tinha. Então ele fechou o passaporte , me devolveu, disse "se você não tem documento não posso te contratar" e me mandou ir embora.
Depois fiz a entrevista da loja de roupa, a moça que me entrevistou até pareceu gostar de mim, mas até hoje to aguardando uma ligação para dizer, pelo menos, que eu não passei.
E então, depois de duas tentativas, acabei conseguindo mais uma entrevista, graças a Deus e a tia Zilda, que conhecia um senhor que estava precisando de um novo funcionário.
Dessa forma lá foi eu, dia 15 de maio fazer uma entrevista para trabalhar numa função que nu…

Mamãe trabalha em um lar de idosos, e daí?

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Mamãe atualmente está trabalhando em um lar de idosos, para melhor entendimento lê-se asilo.
Quem já teve a oportunidade de conhecer um deve ter tido uma vaga noção de que as coisas não são  fáceis, visto que, para cuidar de um idoso, tem que ter uma atenção mais apurada do que quando se cuida de uma criança - sim, pelo que aprendi com mamãe eles são muito melindrosos, como criança, mas muitas vezes se acham no direito de alterar a voz  ou até mesmo levantar a mão para você, por se dizerem mais vividos que você, sendo que eles dependem, muitas vezes, do seu cuidado até para lhes limpar o bumbum.
E aí que mamãe faz de tudo lá, dá banho, troca roupa, limpa o cocô, troca fralda, dá comida, aplica insulina, coloca comida por sonda, limpa os quartos, arruma as camas, lava banheiros... Isso tendo mais de 10 idosos para cuidar!
Sabe aquilo de "se eu ver vômito, se ver alguém vomitar ou se sentir fedor de vômito, já vomito?" Isso acaba deixando de existir por aqui, principalmente s…

Trabalho sempre tem...

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Uma das coisas que mamãe disse para eu me preparar era quanto aos trabalhos que tinham aqui, que era muito provável que não seria fácil e que, a princípio, eu teria que me submeter ao que surgisse e não ao que eu quisesse.
Quem me conhece a bastante tempo, ou até mesmo quem acompanha o blog desde o início, sabe que eu trabalho desde os 16 anos, ou seja, estudava de manhã e trabalhava a tarde. Segui nesse ritmo (no caso de estudo e trabalho) até 2016. Nesse ano comecei a estudar na UFES e no início de 2017 entrei num novo emprego. 
Então quando eu pensava em ter que continuar trabalhando era tranquilo. A única questão que surgia era que no Brasil sempre trabalhei no setor administrativo, sentada na frente de um computador, com o ar-condicionado sempre ligado, às vezes, tinha que andar para outros setores, mas nada que matasse, porém aqui... só Deus sabia o que eu iria fazer!
Depois que comecei a trabalhar eu passo mais tempo no trem e esperando por ele, então nada mais justo que uma fo…

Banheiro, choro e leitura

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Enquanto minhas primas estavam aqui eu tentei ler alguns livros, mas como queria aproveitá-las não conseguia prestar muita atenção, porém, quando elas foram embora e eu ficava alguns momentos sozinha na casa da Lila (sozinha porque mamãe, Marcel e Lila trabalhavam, Lettícia dormia toda a manhã e depois começou a estudar e Mª Eduarda tava na escolinha. Então só restava euzinha na companhia de um livro, a Bíblia, um caderno e uma caneta), comecei a ler com mais intensidade.
O livro em questão foi "Ser é o bastante - Felicidade a Luz do Sermão do Monte", livro esse que a Lila tinha me emprestado e que há pouco tempo me deu de presente! E bem, confesso que ler esse livro foi uma das coisas que mais me ajudaram a não cair mais uma vez numa depressão.
Sim, esse é o mesmo caderno em que estão escritos todos os posts dessa jornada por Portugal
Isso porque eu só chorava, quando estava perto de mamãe e Lettícia tentava ser forte, mas quando estava sozinha, ou quando ia ao banheiro tom…