Minha última carta para você.


(Ao dono da foto, talvez algum dia te pague por ela com um abraço ou dois)


Heráclito afirmou uma vez que “ninguém pode entrar duas vezes no mesmo rio, pois quando nele se entra novamente, não se encontra as mesmas águas, e o próprio ser já se modificou”. Eu já escutei essa frase diversas vezes, mas não tinha parado para encaixa-la em pontos da minha vida, até um certo dia pela manhã em que estava fazendo algo totalmente normal e cotidiano, no caso escovando os dentes, e ela fez bastante sentido. 

Acredito que tenha lhe escrito mais cartas do que gostaria, seu nome apareceu no meu pequeno caderno de capa verde mais do que o necessário, Papai do Céu só não se cansou das minhas orações, em que você estava presente, porque Ele é Deus, tentei puxar assunto contigo das mais diversas formas, deixei meu orgulho de lado e acompanhei a trouxisse mais do que minha irmã acredita ser possível... E agora entendi que nada disso adiantou muito, e talvez nunca vá adiantar.

Acabei descobrindo que senti (e sinto) falta da pessoa que você foi para mim enquanto estava mais distante do que podia calcular. Sinto falta das conversas aleatórias que tínhamos pela madrugada a fora. Falta das mensagens que recebia e, por força do hábito, respondia às 3 da manhã (quando só tinha levantado pra ir ao banheiro) e isso acabava por desencadear uma bela de uma conversa (que por sinal me fez ver o nascer do sol mais do que tinha visto nos últimos 18 anos). Basicamente sinto falta de ser a falta diária de alguém, mesmo que isso não faça muito sentido depois de escrito. 

O que acontece é que isso, no agora, não é nada mais que passado, e não importa o quanto esperneie, o quanto eu queira, o quanto peça a Deus, isso nunca deixará de ser passado. Nada nunca voltará a acontecer da mesma forma, pelo simples fato de as coisas estarem em constante mudança, de estarmos em constante mudança. E mesmo que a gente tentasse, algo estaria diferente. 

E é por isso que lhe escrevo essa última carta, talvez dentro de tudo isso haja um pedido de desculpas por ter, de certa forma, te incomodado com um passado que acabou, trazendo a tona coisas que já passaram e que não voltarão mais. Ou talvez só queira mostrar que dessa vez foi. 

Pensar num adeus ainda me assusta, realmente, não gosto dele. Pensar no “não é mais amor” também não é uma das minhas coisas favoritas (mesmo que me digam que ainda não amei de verdade), porque não é isso que sinto quando penso em você. Então prefiro continuar pensando num até logo, até novos momentos, até novos encontros que colocarão os do passado no chinelo, até breve, até...

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